Carnaval sem Crime: O Abandono de Animais Aumenta Durante a Folia e Acende Alerta Vermelho

 


Carnaval sem Crime: O Abandono de Animais Aumenta Durante a Folia e Acende Alerta Vermelho




Especialistas e protetores independentes fazem um apelo: viajar não é desculpa para abandonar um amigo de quatro patas. Deixar um animal para trás é maus-tratos e crime.











Enquanto milhões de brasileiros preparam as malas para cair na folia do Carnaval, uma triste realidade se repete nos abrigos e portas de clínicas veterinárias: o aumento no número de animais abandonados. A época mais alegre do ano se transforma em pesadelo para cães e gatos que são deixados para trás por tutores que viajam, mas esquecem de levar a consciência na bagagem.

Dados de organizações não governamentais (ONGs) de proteção animal indicam que o abandono pode aumentar em até 30% durante os períodos de feriados prolongados, e o Carnaval é o campeão dessa triste estatística. A justificativa é quase sempre a mesma: "não tenho com quem deixar" ou "é muito caro levar ou hospedar".




Para a médica veterinária e ativista Carla Mendes, que atua em um abrigo na região metropolitana, a desculpa não se sustenta. "As pessoas tratam os animais como objetos que podem ser descartados quando atrapalham os planos. Elas esquecem que ali existe um ser vivo, que sente medo, fome e solidão. Deixar um cachorro amarrado em um poste ou jogar um gato em uma rodovia é uma crueldade extrema que condena o bicho à morte", desabafa.

O que muitos foliões parecem ignorar é que o abandono é crime. A Lei Federal 14.064/20, que altera a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), aumentou a pena para maus-tratos contra cães e gatos, prevendo reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda. Mesmo assim, as delegacias virtuais e grupos de resgate registram dezenas de casos todos os dias durante a festa.

Os animais abandonados sofrem não apenas com a fome e a sede, mas também com o perigo das ruas movimentadas, atropelamentos e doenças. Os que têm sorte são resgatados por protetores, que já trabalham com a capacidade máxima. "Nossa rede de apoio está colapsando. Não temos mais vagas, nem dinheiro para ração. A solução não é o resgate, é a não ocorrência do abandono", reforça Carla.

Para quem vai viajar, existem alternativas responsáveis: levar o animal na viagem (se o destino e o meio de transporte permitirem), contratar um pet sitter, hospedar o bichinho em hotéis para pets ou deixá-lo com um familiar de confiança. Simplesmente deixar o animal solto na rua ou preso em casa sem comida e água para "se virar" por dias é, além de crime, um ato de covardia.




Neste Carnaval, a mensagem de protetores e autoridades é clara: abandonar não é solução. Programe-se com antecedência e lembre-se de que a responsabilidade pela vida de um animal dura por toda a vida dele, não apenas até o próximo feriado. Afinal, respeito e amor não tiram férias.

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